IKEA vai comprar mais de 20 mil hectares de floresta na Letónia e Lituânia
O negócio deverá estar finalizado no primeiro semestre de 2026 e que depende, agora, de aprovações regulatórias. Em 2024, a Greenpeace lançou um relatório onde acusou vários fabricantes de móveis que produzem para o IKEA de obter madeira de uma das florestas “mais preciosas da Europa”, localizada nos Montes Cárpatos, na Roménia.
A Inter IKEA Group, proprietária da marca IKEA, vai comprar mais de 20 mil hectares de floresta na Letónia e na Lituânia. A notícia foi avançada esta quarta-feira pela CapMan Natural Capital, empresa que detém o território.
Num comunicado, citado pela agência Reuters, a empresa finlandesa disse que o negócio deverá estar finalizado no primeiro semestre de 2026. Depende, agora, de aprovações regulatórias.
Entretanto, a Inter IKEA Group afirmou que a aquisição está alinhada com os objetivos de promover a gestão florestal responsável. "Ao gerir as florestas de forma responsável e aumentar o processamento regional de madeira nos países bálticos, pretendemos apoiar as economias locais, colaborar com as comunidades e manter florestas saudáveis para as gerações futuras", afirmou Bruno Mariani Piana, gestor global de investimentos florestais.
As duas florestas envolvidas nesta compra são certificadas pela Forest Stewardship Council como geridas de forma sustentável. O IKEA é um dos maiores utilizadores de madeira do mundo. Um dos objetivos da empresa é reduzir para metade as emissões de carbono em toda a sua cadeia de valor até 2030.
"O nosso património natural não pode ser transformado em móveis"
Em 2024, a Greenpeace lançou um relatório onde acusou vários fabricantes de móveis que produzem para o IKEA de obter madeira de uma das florestas “mais preciosas da Europa”, localizada nos Montes Cárpatos, na Roménia.
"O nosso património natural não pode ser transformado em móveis. As florestas antigas são vitais para a saúde do planeta e devem ser protegidas imediatamente. A IKEA deve cumprir as suas próprias promessas de sustentabilidade e limpar a sua cadeia de abastecimento da destruição de florestas antigas", disse Robert Cyglicki, diretor da Campanha de Biodiversidade do Greenpeace Europa Central e Oriental.
O tema voltou a ter destaque no relatório deste ano. "Temos provas que demonstram que o IKEA ignora deliberadamente os avisos para se manter afastada de florestas preciosas que devem ser protegidas. Os seus fornecedores estão a obter madeira dos ‘habitats’ de vida selvagem mais ricos da Europa, incluindo uma das últimas florestas antigas dos Cárpatos. (...) Isto contradiz totalmente as alegações da empresa de gestão florestal responsável, abastecimento sustentável e compromisso com a proteção da biodiversidade".